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Já dissertei sobre este tema diversas vezes, contudo não deixa sempre de ser um tema atual e cheio de mistérios. Como todos que me conhecem sabem, além de psicanalista clínico sou master practitioner em Hipnoterapia, com formação internacional e que me dedico ao estudo da Hipnose há mais de 40 anos. Por esta razão, a pergunta que mais recebo, em minhas andanças, é se a hipnose é uma espécie de mágica.
Então, vou aproveitar este editorial para atender vocês, meus amigos, mesmo porque o mundo passa por uma situação, que parece que os grandes líderes estão todos hipnotizados.
– Parabéns, Claudinei! Até que enfim você vai atender às centenas de pedidos para escrever novamente sobre Hipnose. Confesso que também estou curioso a respeito desta mágica.
– Obrigado, mas, antes de qualquer coisa, é bom esclarecer que não existe nenhuma mágica na hipnose, a não ser a ‘magia’ da própria arte. Realmente tenho sido cobrado por muitos leitores para escrever um pouco mais sobre as maravilhas desta técnica milenar, até hoje contestada por muitos e tida como ‘bruxaria’ por outros. Embora existam diversas teorias, na verdade, a ciência ainda não conseguiu esclarecer totalmente o processo fisiopatológico da Hipnose; contudo, somente quem teve contato com ela, pode avaliar os seus benefícios.
É impressionante o interesse que a Hipnose tem despertado durante as palestras que tenho realizado ao longo destes anos. No entanto, mais recentemente, parece que a curiosidade anda ainda mais aguçada, talvez mesmo porque em épocas conturbadas as pessoas buscam por fórmulas mágicas, gurus, magias ou tudo mais que possa trazer um alento de esperança e bem-estar. Nestas circunstâncias, o hipnólogo ou o hipnoterapeuta chegam a ser endeusados e até a receberem a carapuça de super-homens com poderes sobrenaturais, gurus e por aí afora; outros, ao presenciarem demonstrações em programas de TV, ou mesmo, durante cursos e palestras, não acreditam e acham que tudo não passa de truques.
– Claudinei! Mas, cá entre nós, a coisa toda não é combinada antes? Já vi as suas demonstrações e confesso que fiquei abismado, principalmente quando você regride a pessoa em nível intrauterino e ela assume a posição fetal, a exemplo do que vi você fazer em algumas palestras.
– Você, que sempre me acompanha, sabe muito bem que eu procuro fazer as demonstrações com pessoas que não conheço ou que conheci naquele momento e posso garantir que não existem truques e muito menos qualquer tipo de combinações antecipadas.
– Inclusive aquilo tudo, que aquele argentino faz na TV?
– Você deve estar se referindo ao meu amigo Fabio Puentes, que é uruguaio e não argentino e um dos melhores hipnólogos que conheço e, também, um grande showman. A propósito, ele foi o meu primeiro professor de Hipnose e posso assegurar que tudo o que ele faz na TV é muito verdadeiro, embora sendo apenas uma hipnose de palco, a qual sempre foi muito contestada pelos profissionais da área.
– Por que a Hipnose de palco é contestada?
– Veja bem, quando praticada fora dos meios acadêmicos, isto é, em cursos ou grupos de estudo, ela assume um aspecto circense. A maioria dos hipnoterapeutas não aprova esta prática da Hipnose, por achar que ela não contribui em nada em termos terapêuticos. Contudo, inegavelmente, é uma grande ferramenta para mudanças comportamentais e de paradigmas. Sem sombra de dúvida, foi após as apresentações do Fabio Puentes, na TV, que a Hipnose voltou a despertar o interesse e, principalmente, o respeito que se deve a ela.
– Claudinei, qual a diferença entre hipnólogo e hipnoterapeuta?
– Esta é uma boa pergunta: hipnólogo é um facilitador, ou seja, um técnico que ajuda o indivíduo a entrar em hipnose, mesmo porque toda hipnose é uma auto-hipnose; por sua vez, o hipnoterapeuta irá acessar os recursos do paciente hipnotizado para trabalhar terapeuticamente uma infinidade de problemas que podem ser tratados com a eficiência e, principalmente, na velocidade da Hipnose. Acreditem, é uma matéria fascinante, atualmente empregada em larga escala em clínicas e hospitais, principalmente no controle da dor. Aproveitando, o novo design da MercNews está hipnotizante!
Um forte abraço e, parafraseando meu amigo Puentes: BIEN DORMIDO!
Claudinei Luiz
– Parece que você já contou esta história antes, Claudinei?
– Se contei, não lembro. Talvez sim, porque estamos no mês de abril e sempre gosto, neste mês, de fazer uma alusão ao famoso ‘primeiro de abril’, outrora tão comemorado, e, nos dias de hoje, já quase no esquecimento; contudo, ainda em tempo de relembrar que neste dia comemora-se o ‘dia da mentira’ e que, em alguns países, é chamado de ‘dia dos tolos’. Infelizmente não tenho espaço para explicar a origem desta data, mas, para quem tiver interesse, é só dar uma entrada no google, que vale a pena conhecer.
– Mas, Claudinei, voltando ao assunto, você quer dizer que acha legal a mentira?
– Não foi bem isso que eu quis dizer, mas, em certos casos, até veneno é usado como remédio. Lembre-se que uma mentira somente torna-se mentira quando ela deixa de ser verdade, e que, em muitos casos, ela é paradoxal.Lembra-se do exemplo, tipo questão de vestibular:
a) A alternativa b é verdadeira.
b) A alternativa a é falsa.Parece que alguém está mentindo, ou não? Afinal é um paradoxo e a sua aceitação consciente torna-se difícil, tem apenas de aceitá-lo da mesma forma que quando aceitamos certas mentiras elas nos fazem bem.Resumindo, o conceito de verdade ou mentira está relacionado ao sistema de crenças e valores de cada um. Basta relembrar a célebre frase de Henry Ford: “Se você acha que pode ou que não pode, de qualquer forma você está certo”.Outros dizem que mentiras podem ser verdades que gostaríamos de enxergar.
– Ok, Claudinei, você já está filosofando demais, e te conhecendo sei que tem alguma coisa boa por trás das mentiras; dê logo o seu recado antes que acabe o espaço.
– Está bem, como sempre ansioso, você deve lembrar-se que já expliquei nesta coluna que o nosso cérebro vive o presente, para ele não existe passado nem futuro, o que importa é o aqui e agora. Ele trabalha da mesma forma que um computador, ou seja, utiliza um sistema binário, isto é, sim ou não.
– Desculpe, Claudinei, você já está viajando de novo, chega de teoria e vamos ao que interessa.
– Poxa, como você é chato, lembra muito um amigo meu. Já que você prefere assim, vamos finalizar com o que interessa na prática.
Torne-se um mentiroso!
Todos os dias pela manhã faça o seguinte exercício: Vá em frente a um espelho e diga uma série de mentiras para o seu cérebro, tais como:
Eu sou feliz
Eu me amo
Eu tenho sucesso
Sou próspero
Sou sadio fisicamente, mentalmente e espiritualmente e outras mais que você não acredita.
Seu cérebro não saberá distinguir se são verdades ou mentiras, basta você acreditar para que ele passe a agir como se fossem verdades e eu tenho certeza que você “passará” a viver melhor. Mãos à obra, engane-o que ele gosta, pratique este exercício e faça de cada dia um grande dia.
Forte abraço e boas mentiras
Claudinei Luiz é psicanalista e hipnoterapeuta
@claudineiluiz_hipnoterapeuta
Nestes tempos em que a comoção pelas atrocidades cometidas contra os animais, começando com o caso do cão Orelha, mas que, infelizmente, vem se alastrando sabe-se lá desde quando.
O que será que passa na cabeça de uma pessoa, em especial jovens, que se deliciam com o sofrimento de outros seres? Claro que Freud tem uma explicação para tais fatos, é o nosso cérebro reptiliano, aquele primitivo que nos acompanha desde o nascimento e também é inerente a todos os animais e que nos permite, perante o perigo, lutar, correr, ou se fingir de morto.
Ao crescermos vamos desenvolvendo o sistema límbico (das emoções e sentimentos) e do neocórtex (nossas funções cognitivas).
Voltando a Freud, todos nascemos com o Id que é a busca do prazer imediato, não importando os meios, daí, através do superego – leia-se religião, sociedade, educação – forma-se o ego, que é o moralista da estória e que tenta colocar o equilíbrio entre eles. O exemplo mais claro disto é quando você está parado no semáforo, com sinal vermelho: o Id manda você passar, o superego alerta para o perigo e a penalização, e o ego toma a decisão. Aí entram todos os fatores de nossa criação, a exemplo dos quatro jovens do caso Orelha. Nem sempre o poder aquisitivo dá a melhor formação.
Outro ponto importante a ser considerado é que, talvez, nem todos compactuaram da ação monstruosa naquele momento, mas, o grupo, sempre vence. Esta explicação de forma alguma os exime da culpa das atrocidades cometidas.
Acompanhando todos estes acontecimentos, lembrei-me de um conto que li no livro de José Orlando Nussi, contando um pouco do outro lado da história: “Conta que existia um velho mendigo, que vivia perambulando pelas ruas da cidade e sempre acompanhado pelo seu fiel escudeiro, um vira-lata rajado que atendia pelo nome de Malhado. O velho mendigo não pedia dinheiro, mas sempre algo para comer, como um pedaço de pão, uma banana, ou o que seja. Quando suas roupas estavam imprestáveis, logo era socorrido por alguma alma caridosa. Ele era conhecido como um homem bom e que, apesar do infortúnio, vivia alegre e sempre fazendo brincadeiras. Não ingeria bebidas alcoólicas, estava sempre tranquilo, mesmo quando não recebia nenhum prato de comida. Sempre dizia que Deus lhe daria na hora certa e sempre na hora que Ele determinasse, e assim acontecia; sempre que alguém lhe estendia um prato de comida, pelo qual ele agradecia, repartia com o Malhado e rogava a Deus pela pessoa que o ajudara. O mendigo não tinha onde dormir, levava uma vida vegetativa, sem esperança e sem um futuro promissor.
Certo dia um cidadão, com a desculpa de oferecer-lhe umas bananas, foi conversar com ele, iniciando a conversa perguntando sobre o Malhado, qual a idade etc, o que ele respondeu que não sabia, porque se encontraram num certo dia, quando ambos andavam pelas ruas. Então disse: – Nossa amizade começou com um pedaço de pão. Ele parecia faminto e eu lhe ofereci um pouco de meu almoço e ele agradeceu abanando o rabo, e dai, não me largou mais. Ele me ajuda muito e eu retribuo essa ajuda sempre que posso.
Continuando a conversa, o cidadão perguntou: – você tem algum desejo de vida? – Tenho sim -, respondeu o mendigo -, tenho vontade de comer um cachorro quente, daqueles que o Zezé vende ali na esquina.
-Só isso?
-Sim, no momento é o que desejo.
– Ok, então vou satisfazer a sua vontade, disse o cidadão.
E, assim dito, saiu e comprou um apetitoso hot-dog para o velhinho, o qual arregalou os olhos, deu um sorriso, agradeceu pela dádiva e, em seguida tirou a salsicha e deu para o Malhado, e comeu o pão com o tempero.
Não entendendo aquele gesto do mendigo, pois imaginava ser a salsicha o melhor pedaço, perguntou o porquê ele dera a salsicha para o cachorro. Ele, com a boca cheia, respondeu: -Para o melhor amigo, o melhor pedaço, e continuou comendo alegre e satisfeito.
Acreditem, deve existir alguma boa razão para que todos os pedintes que vejo, terem um cachorro do lado. Só quem tem um cão, pode avaliar uma amizade.
(Dedico este editorial à minha falecida cachorra e eterna amiga, Perla)
Claudinei Luiz